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	<title>Sistema de Alerta e Alarme archivos - +COMUNIDAD</title>
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	<description>Periodismo de ciudades y soluciones. Una iniciativa impulsada por RIL (Red de Innovación Local).</description>
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		<title>Alerta Rio, o sistema que antecipa os deslizamentos nas encostas do Rio de Janeiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mas Comunidad]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2026 14:51:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nas encostas do Rio de Janeiro, uma chuva forte pode provocar deslizamentos em poucas horas. Desde 2011, a cidade combina a previsão do sistema Alerta Rio com sirenes em 103 comunidades de alto risco, que indicam quando os moradores devem seguir para pontos de apoio. Em fevereiro de 2026, o mês mais chuvoso em quase 30 anos, as sirenes tocaram várias vezes. O desafio agora é levar o alerta a mais bairros, enquanto a cidade se prepara para um El Niño forte.</p>
<p>La entrada <a href="https://mascomunidad.org.ar/alerta-rio-sirenes-deslizamentos/">Alerta Rio, o sistema que antecipa os deslizamentos nas encostas do Rio de Janeiro</a> se publicó primero en <a href="https://mascomunidad.org.ar">+COMUNIDAD</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right has-text-color has-link-color wp-elements-1 wp-block-paragraph" style="color:#ffffff00;font-size:1px">sistema de alerta de deslizamentos no Rio de Janeiro<br></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Existe uma versão em espanhol deste artigo <a href="https://mascomunidad.org.ar/alerta-rio-sirenas-deslizamientos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Rio de Janeiro cresceu sobre montanhas. Muitas de suas favelas ocupam encostas onde o solo encharcado pela chuva pode ceder em minutos. O projeto Rio 60ºC, da organização Ambiental Media e da Universidade Federal Fluminense (UFF), <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-04/rio-precisa-ampliar-sistema-de-alerta-de-deslizamentos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estimou</a> em abril de 2025 que cerca de 599 mil domicílios da cidade estão em alto risco de desastre. Cerca de 60 mil estão sujeitos a deslizamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resposta municipal combina duas peças. A primeira é o <strong>Alerta Rio</strong>, sistema de previsão de chuvas intensas e deslizamentos criado em 1996 pela Fundação Instituto de Geotécnica do Município (Geo-Rio). A segunda é o <strong>Sistema de Alerta e Alarme Comunitário</strong>, uma rede de sirenes que a Defesa Civil municipal aciona quando a chuva ultrapassa limites definidos para cada comunidade. As duas operam no Centro de Operações e Resiliência (COR), a sala de onde a Prefeitura coordena a resposta a emergências.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outubro de 2025, o +COMUNIDAD publicou como o Rio usa dados para coordenar sua resposta urbana por meio do COR e do programa Territórios Sociais (<a href="https://mascomunidad.org.ar/datos-que-salva-vidas-la-estrategia-de-rio-de-janeiro-para-responder-y-cuidar-mejor/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">leia a matéria</a>, em espanhol). Esta matéria se concentra em uma peça dessa engrenagem, o alerta precoce de deslizamentos. Ela se baseia em documentos oficiais, relatórios técnicos e reportagens disponíveis até 25 de outubro de 2026.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma resposta que nasceu de uma tragédia</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A gestão de risco nas encostas do Rio tem data de origem. Em janeiro de 1966, um temporal deixou a cidade em estado de calamidade. Em 12 de maio daquele ano, um decreto do então Estado da Guanabara criou o Instituto de Geotécnica, hoje Fundação Geo-Rio, para vistoriar encostas e executar obras de contenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 19 de fevereiro de 1967, a chuva provocou o deslizamento de uma pedra no bairro de Laranjeiras. O bloco derrubou dois edifícios e soterrou mais de cem pessoas. Os desastres daqueles dias deixaram quase 200 mortos, segundo o histórico divulgado nos <a href="https://temporealrj.com/geo-rio-60-anos-encostas-rio-de-janeiro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">60 anos da Geo-Rio</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O monitoramento chegou três décadas depois. Em 1996, a Geo-Rio implantou o Alerta Rio, uma rede de estações pluviométricas que transmitem dados a cada 15 minutos. Em 2010, após novas chuvas com dezenas de mortos na cidade, a Prefeitura criou o COR, e a Geo-Rio mapeou o risco geotécnico de todas as comunidades. <strong>O mapeamento identificou 117 comunidades com alto risco de deslizamento.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A peça que faltava chegou em janeiro de 2011. No Morro do Borel, a Prefeitura apresentou a <a href="https://www.jb.com.br/rio/noticias/2011/01/21/amp/paes-apresenta-primeira-sirene-para-avisar-populacao-sobre-perigo-de-deslizamento.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">primeira sirene</a> de um sistema pensado para avisar os moradores sobre o momento de deixar suas casas. <strong>A rede chegou a 103 comunidades.</strong> <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-04/rio-precisa-ampliar-sistema-de-alerta-de-deslizamentos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Segundo a Prefeitura</a>, elas se concentram nas zonas Norte e Sul, apontadas pelo mapeamento como as de maior risco geológico.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/cor-2048x1365-2-1024x683-2.jpg" alt="" class="wp-image-10370" srcset="https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/cor-2048x1365-2-1024x683-2.jpg 1024w, https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/cor-2048x1365-2-1024x683-2-300x200.jpg 300w, https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/cor-2048x1365-2-1024x683-2-768x512.jpg 768w, https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/cor-2048x1365-2-1024x683-2-24x16.jpg 24w, https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/cor-2048x1365-2-1024x683-2-36x24.jpg 36w, https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/cor-2048x1365-2-1024x683-2-48x32.jpg 48w" sizes="(max-width: 959px) 90vw, (max-width: 1279px) 63vw, 787px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Centro de Operações e Resiliência do Rio de Janeiro. Foto: COR Rio.</sup></em></figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Do pluviômetro à sirene</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A cadeia começa nos pluviômetros. Os equipamentos ligados às sirenes enviam medições automáticas a cada 15 minutos, segundo <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-04/rio-precisa-ampliar-sistema-de-alerta-de-deslizamentos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">informou</a> a Geo-Rio ao Tribunal de Contas do Município (TCM). O COR soma dois radares meteorológicos próprios. O do Sumaré funciona desde 2010, e o do Mendanha, na Zona Oeste, desde 2024. O centro também integra imagens de satélite.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com esses dados, os meteorologistas do Alerta Rio fazem a previsão da chuva e estimam a probabilidade de escorregamentos em quatro níveis, de baixa a muito alta. Os <a href="https://www.conferencebr.com/anais/604/paperfile/604-1051735_22_09_2025_21-28-17_5627.PDF" target="_blank" rel="noreferrer noopener">critérios técnicos</a>, definidos em 2012, consideram a chuva acumulada em 1, 24 e 96 horas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Defesa Civil aciona as sirenes depois que os meteorologistas do Alerta Rio avaliam os índices críticos de chuva. As duas equipes trabalham juntas no COR. Segundo o <a href="https://cor.rio/municipio-do-rio-de-janeiro-entrou-em-estagio-2-as-08h07-deste-domingo-04-de-janeiro-de-2026/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">centro de operações</a>, em algumas comunidades as sirenes tocam quando a chuva atinge entre 40 e 55 mm por hora. <strong>Acima de 55 mm, o acionamento é feito diretamente do COR.</strong> O acumulado também conta. Em <a href="https://cor.rio/cidade-segue-de-prontidao-por-conta-das-chuvas-neste-sabado-sirenes-desligadas-na-grande-tijuca/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">abril de 2025</a>, a Defesa Civil acionou sirenes no Borel e no Andaraí por causa da chuva de 24 horas, com o solo encharcado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada ator tem um papel definido. A Geo-Rio mapeia o risco, executa obras de contenção e fiscaliza os contratos do Alerta Rio e das sirenes. A Defesa Civil aciona o alarme e acompanha a desocupação. O COR define o estágio operacional da cidade, uma escala de 1 a 5 em vigor desde um <a href="https://doweb.rio.rj.gov.br/apifront/portal/edicoes/imprimir_materia/1005199/6070" target="_blank" rel="noreferrer noopener">decreto</a> de novembro de 2023.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O alerta nas comunidades</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O alerta chega por vários caminhos. A Defesa Civil envia mensagens por SMS e WhatsApp a quem se cadastra. Desde janeiro de 2025, usa também o cell broadcast, tecnologia da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) <strong>que alcança todos os celulares de uma área sem cadastro prévio.</strong> Em 29 de janeiro de 2025, a cidade recebeu <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-02/temporais-atingem-o-estado-do-rio" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pela primeira vez</a> um alerta extremo por esse canal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas comunidades atendidas, as sirenes têm duas funções. Primeiro, emitem um <a href="https://www.tupi.fm/?p=1789593" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aviso de aproximação</a> de chuva forte. Se a chuva atinge os limites, toca a ordem de desocupação. Os moradores seguem então para pontos de apoio definidos com antecedência. Segundo a <a href="https://prefeitura.rio/comlurb/prefeitura-do-rio-apresenta-acoes-para-possivel-intensificacao-do-el-nino/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">apresentação da Prefeitura</a> de julho de 2026, a cidade conta com <strong>225 pontos de apoio e 165 sirenes em 103 comunidades</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a Prefeitura, um cadastro atualizado de idosos e pessoas com deficiência permite que a Defesa Civil as apoie quando a sirene toca. Cada comunidade conta, ainda, com lideranças treinadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A preparação se completa com simulados de desocupação, nos quais os moradores percorrem as rotas até os pontos de apoio. Os números públicos sobre esses exercícios não coincidem. Um <a href="https://www.opovo.com.br/noticias/brasil/2023/04/12/defesa-civil-do-rio-faz-simulado-de-desocupacao-de-areas-de-risco.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">balanço de abril de 2023</a> contava 52 simulados desde 2011. A apresentação de julho de 2026 <a href="https://vozdascomunidades.com.br/destaques/prefeitura-do-rio-se-prepara-para-enfrentar-os-efeitos-do-el-nino-com-acoes-de-prevencao-e-obras-em-comunidades/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">menciona 869</a> desde 2014.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="576" src="https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2024-05-17-at-15.12.13-1-1-1024x576.jpeg" alt="" class="wp-image-10371" srcset="https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2024-05-17-at-15.12.13-1-1-1024x576.jpeg 1024w, https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2024-05-17-at-15.12.13-1-1-300x169.jpeg 300w, https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2024-05-17-at-15.12.13-1-1-768x432.jpeg 768w, https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2024-05-17-at-15.12.13-1-1-1536x864.jpeg 1536w, https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2024-05-17-at-15.12.13-1-1-24x13.jpeg 24w, https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2024-05-17-at-15.12.13-1-1-48x27.jpeg 48w, https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2024-05-17-at-15.12.13-1-1-36x20.jpeg 36w, https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2024-05-17-at-15.12.13-1-1.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 959px) 90vw, (max-width: 1279px) 63vw, 787px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Simulado. Imagem: Defesa Civil Municipal.</sup></em></figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que mudou e o que não mudou</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, o sistema ganhou camadas tecnológicas. Em 2024, foi instalado o segundo radar, no Morro do Mendanha. Em 2025, chegou o cell broadcast como canal de massa. Em novembro de 2023, a Prefeitura substituiu os nomes dos estágios operacionais por números de 1 a 5, com cores alinhadas às do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Uma <a href="https://www.tupi.fm/?p=1713101" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pesquisa</a> havia mostrado que a população não compreendia a escala anterior.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A inteligência artificial está em fase de testes.</strong> O consórcio <a href="https://instituto.ia.lncc.br/en/projects/rionowcast" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rionowcast</a>, formado pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), pelo CEFET-RJ, pela UFF e pelo COR, desenvolve modelos para antecipar chuvas extremas. Em 2026, pesquisadores da UFF <a href="https://www.noticiasagricolas.com.br/noticia/422209" target="_blank" rel="noreferrer noopener">apresentaram um modelo</a> que exige menos energia e menor capacidade computacional. A próxima etapa é testá-lo com dados em tempo real nos sistemas do COR e do Alerta Rio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O COR também cresceu. A matéria do +COMUNIDAD de 2025 falava em mais de 30 órgãos. Em julho de 2026, a Prefeitura informou <a href="https://digital.correiodamanha.com.br/jornalcorreiodamanha/2026/07/21/232049/pdf/2107cmanha12.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mais de 50 órgãos</a> integrados e 50 protocolos operacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cobertura das sirenes se manteve estável. Os registros públicos mencionam 103 comunidades desde pelo menos 2020, com entre 162 e 165 equipamentos, conforme o ano. Para o projeto Rio 60ºC, a rede não ganhou novas comunidades desde o lançamento. &#8220;Nunca mais instalaram sirenes&#8221;, <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-04/rio-precisa-ampliar-sistema-de-alerta-de-deslizamentos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">afirmou em abril de 2025</a> seu coordenador, <strong>Miguel Vilela</strong>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="600" height="877" src="https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/prefeitura-rio-inaugura-radar-meteorologico-serra-do-mendanha-01-03-2024-album-01-1.jpg" alt="" class="wp-image-10372" srcset="https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/prefeitura-rio-inaugura-radar-meteorologico-serra-do-mendanha-01-03-2024-album-01-1.jpg 600w, https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/prefeitura-rio-inaugura-radar-meteorologico-serra-do-mendanha-01-03-2024-album-01-1-205x300.jpg 205w, https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/prefeitura-rio-inaugura-radar-meteorologico-serra-do-mendanha-01-03-2024-album-01-1-17x24.jpg 17w, https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/prefeitura-rio-inaugura-radar-meteorologico-serra-do-mendanha-01-03-2024-album-01-1-25x36.jpg 25w, https://mascomunidad.org.ar/wp-content/uploads/2026/10/prefeitura-rio-inaugura-radar-meteorologico-serra-do-mendanha-01-03-2024-album-01-1-33x48.jpg 33w" sizes="(max-width: 600px) 90vw, 600px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Novo radar meteorológico do Sumaré ou do Mendanha. Imagem: COR Río.<br></sup></em></figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Fevereiro de 2026, um teste de estresse</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A última temporada de chuvas pôs o sistema sob pressão. Fevereiro de 2026 foi o <a href="https://www.climatempo.com.br/noticia/sudeste/rio-de-janeiro-tem-fevereiro-mais-chuvoso-em-30-anos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mais chuvoso desde 1997</a>, quando começou a série histórica do Alerta Rio. Até o dia 27, a média das estações marcou 354 mm, o triplo da média histórica do mês (118,3 mm). Um ano antes, fevereiro de 2025 tinha sido um dos mais secos da série, com 0,6 mm. A Prefeitura contabilizou <a href="https://diariodorio.com/fevereiro-de-2026-foi-o-mais-chuvoso-em-30-anos-no-rio-aponta-alerta-rio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">1.292 atendimentos</a> relacionados aos temporais durante o mês.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os registros públicos mostram acionamentos frequentes. Em <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/rj/sirenes-sao-acionadas-apos-fortes-chuvas-no-rio-veja-imagens/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">28 de novembro de 2025</a>, a Defesa Civil acionou 11 sirenes em sete comunidades após chuvas acima de 50 mm em uma hora. Em <a href="https://cor.rio/municipio-do-rio-de-janeiro-entrou-em-estagio-2-as-08h07-deste-domingo-04-de-janeiro-de-2026/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">4 de janeiro de 2026</a>, três sirenes tocaram na comunidade da Formiga e foram silenciadas uma hora e quinze minutos depois. Em <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/rj/rio-de-janeiro-entra-em-estagio-3-para-chuvas-e-sirenes-sao-acionadas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">9 de fevereiro</a>, com a cidade no Estágio 3, tocaram 15 sirenes em nove comunidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cadeia é acionada com regularidade. Seu efeito é mais difícil de medir. <strong>As fontes públicas consultadas não informam quantas pessoas chegaram aos pontos de apoio, com quanta antecedência receberam o aviso nem quantos deslizamentos ocorreram nas áreas atendidas.</strong> O indicador oficial mais recente encontrado pelo +COMUNIDAD é de fevereiro de 2023. Segundo a Defesa Civil, desde a instalação das sirenes foram registradas <a href="https://www.acessa.com/noticias/2023/02/132112-sirenes-reduzem-risco-de-mortes-em-favelas-do-rio-mas-desastres-desafiam-apos-12-anos.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">quatro mortes por deslizamentos</a> nas áreas monitoradas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que ainda falta</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O principal limite é a cobertura. Em 2022, o TCM <a href="https://ambiental.media/blog/sem-categoria/grande-parte-do-brasil-vai-passar-mais-um-verao-sem-sistema-eficiente-de-alerta-de-desastres/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">identificou</a> cerca de 400 comunidades sem sirenes nem estudos de risco geológico-geotécnico, a maioria em torno do maciço da Pedra Branca, na Zona Oeste. O tribunal determinou que a Geo-Rio concluísse o mapeamento de risco em um ano e ampliasse o sistema de alarme. O +COMUNIDAD não encontrou informações públicas sobre o cumprimento dessa determinação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Prefeitura sustenta que as comunidades da Zona Oeste têm características geológicas distintas das localizadas junto aos maciços das zonas Sul e Norte. Entre os censos de 2010 e 2022, os bairros da Zona Oeste lideraram o crescimento populacional da cidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O segundo limite está na previsão. Em 29 de julho de 2026, um vendaval com rajadas de até 92 km/h atingiu a capital. A Prefeitura foi <a href="https://www.cartacapital.com.br/sociedade/cidade-do-rio-tem-alerta-severo-para-vendaval-nesta-quarta/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cobrada</a> por não ter alertado a tempo. O prefeito <strong>Eduardo Cavaliere</strong> <a href="https://www.poder360.com.br/poder-brasil/vendaval-no-rj-deixa-2-mortos-prefeito-associa-evento-ao-el-nino/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">reconheceu</a> que os ventos superaram a previsão da gestão municipal. O episódio não envolveu deslizamentos, mas mostrou que o alerta depende da qualidade da previsão.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Continuidade entre gestões</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O sistema atravessou cinco mandatos municipais e três prefeitos. Nasceu com <strong>Eduardo Paes</strong> em 2011, seguiu com <strong>Marcelo Crivella</strong> entre 2017 e 2020 e voltou a Paes. Desde março de 2026, é administrado por <strong>Eduardo Cavaliere</strong>, que assumiu após a renúncia de Paes. Em março de 2020, durante a pandemia, as sirenes das 103 comunidades <a href="https://www.agazeta.com.br/brasil/sirenes-tocam-em-favelas-do-rio-pedindo-que-populacao-fique-em-casa-0320" target="_blank" rel="noreferrer noopener">transmitiram mensagens</a> para que os moradores evitassem sair de casa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A continuidade tem base institucional. A Geo-Rio existe desde 1966, o Alerta Rio desde 1996 e o COR desde 2010. Os estágios operacionais e a governança das emergências estão fixados em decreto. A Defesa Civil publica planos de contingência, como o da temporada 2025-2026, com o protocolo de acionamento das sirenes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os recursos específicos do sistema de alerta não aparecem discriminados nas fontes consultadas. Há, sim, números de investimento em redução de risco. A Geo-Rio informou R$ 460 milhões em mais de 300 obras de contenção desde 2021, com recursos municipais e federais. O PAC Encostas destina R$ 258 milhões para conter encostas e proteger 60 mil pessoas. Em 2026, a Secretaria de Conservação dobrou o investimento em drenagem, para R$ 70 milhões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em julho de 2026, diante de uma probabilidade de 81% de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro, Cavaliere apresentou o plano de resposta da cidade. &#8220;Não conseguimos impedir que o El Niño tenha efeitos sobre o clima do Rio&#8221;, <a href="https://digital.correiodamanha.com.br/jornalcorreiodamanha/2026/07/21/232049/pdf/2107cmanha12.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">afirmou</a>, citado pelo jornal Correio da Manhã.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que outra cidade precisa</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a Prefeitura, diversas cidades brasileiras adotaram o modelo, e a Geo-Rio presta consultoria a outros municípios. As fontes consultadas permitem identificar cinco condições para replicá-lo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Um mapa de risco antes da tecnologia.</strong> As sirenes do Rio foram instaladas com base no mapeamento de 2010. Onde não há mapeamento, como apontou o TCM, também não há alarme.</li>



<li><strong>Limites próprios para cada comunidade.</strong> Os índices de chuva que acionam o alarme variam conforme o terreno e são calibrados com o registro de deslizamentos.</li>



<li><strong>Um lugar onde o dado vira decisão.</strong> No Rio, meteorologistas e Defesa Civil dividem a sala do COR.</li>



<li><strong>Pontos de apoio e moradores preparados.</strong> A sirene funciona quando cada família sabe para onde ir. Os simulados e as lideranças comunitárias cumprem essa função.</li>



<li><strong>Vários canais ao mesmo tempo.</strong> Sirenes, SMS, WhatsApp e cell broadcast chegam a públicos diferentes.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Para municípios sem rede de sensores, a pesquisadora <strong>Mariza Ferro</strong>, da UFF, <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-04/rio-precisa-ampliar-sistema-de-alerta-de-deslizamentos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">propôs</a> em 2025 começar com ferramentas simples, como pluviômetros de garrafa PET e treinamento dos moradores. O objetivo é que as comunidades usem os dados de risco sem depender apenas do poder público. No Brasil, além disso, o cell broadcast opera em escala nacional e está disponível para as defesas civis locais.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O próximo passo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quinze anos após a primeira sirene, o Rio de Janeiro tem uma cadeia de alerta acionada com regularidade em 103 comunidades. A tarefa agora é levar o mapeamento e o alarme aos bairros que cresceram depois de 2010, para que o sistema acompanhe a cidade diante de chuvas mais intensas.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><em><strong>Nota metodológica: esta matéria se relaciona com a publicada pelo +COMUNIDAD em 14 de outubro de 2025, &#8220;</strong></em><a href="https://mascomunidad.org.ar/datos-que-salva-vidas-la-estrategia-de-rio-de-janeiro-para-responder-y-cuidar-mejor/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong><em>Datos que salvan vidas: la estrategia de Río de Janeiro para responder y cuidar mejor</em></strong></a><em><strong>&#8220;, sobre o COR e o programa Territórios Sociais. Em outubro de 2026, o +COMUNIDAD solicitou entrevistas à Geo-Rio e ao COR, sem resposta até a data de fechamento, 26 de outubro de 2026. As fontes consultadas foram comunicados e documentos da Prefeitura do Rio, do COR e da Geo-Rio, o Diário Oficial do Município, relatórios do Tribunal de Contas do Município citados pela imprensa, o projeto Rio 60ºC, o consórcio Rionowcast e reportagens da Agência Brasil, CNN Brasil, Climatempo, Poder360, CartaCapital, Correio da Manhã, Folhapress, Jornal do Brasil e Tempo Real RJ.</strong></em></h5>



<h5 class="wp-block-heading"><strong><em>Esta matéria faz parte do Boletim Ideias &amp; Inspiração da Rede de Inovação Local (RIL), que destaca todos os meses casos inovadores de diferentes temas em cidades de todo o mundo. Quer receber, uma vez por mês, soluções locais como as desta matéria no seu e-mail?</em></strong> <a href="https://forms.gle/fPLL1AWabbE2JYnn7" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong><em>Inscreva-se</em></strong></a> <strong><em>gratuitamente!</em></strong></h5>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph"><em>Imagem de capa: Ilustração +COMUNIDAD</em><em><br></em><em><br></em><strong>Redação +COMUNIDAD</strong></p>
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